O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, manifestou nesta segunda-feira "dor e preocupação" pelos "horríveis" episódios de violência na Nigéria, o país mais populoso da África, onde mais de 500 moradores de aldeias cristãs foram mortos a golpes de facão e queimados em ataques praticados no último domingo,7, por criadores de gado muçulmanos.
Os ataques foram realizados na cidade de Jos, capital do estado de Plateau, no centro do país, por volta das 3 horas da manhã local, pelos grupos Hauçá e Fulani que são de etnia muçulmana contra os Beron que são cristãos. Em três horas, pelo menos 500 pessoas foram massacradas, entre elas muitas mulheres e crianças.
Segundo o Padre Federico Lombardi, a leitura dos acontecimentos, no entanto, aponta que "não se trata de confrontos de natureza religiosa, mas sim social".
A mesma interpretação foi feita pelo Arcebispo nigeriano de Abuja, Monsenhor John Olorunfemi Onaiyekan, que disse que é "o clássico conflito entre pastores e agricultores, só que os Fulani são todos muçulmanos e os Berom são todos cristãos", para ele se tratam de reivindicações sociais, econômicas, tribais e culturais.
Onaiyekan comentou ainda que a Igreja Católica local continua "a trabalhar para promover boas relações entre cristãos e muçulmanos, e tentando estabelecer um acordo para domar a violência e lutar juntos por problemas concretos, políticos e étnicos".
"Estamos muito tristes que o governo, que tem a tarefa de garantir a segurança de todos os cidadãos, parece não ter a capacidade de fazer isto. E não é porque não tem vontade de fazer, mas porque é um governo muito fraco", observou o religioso.
De acordo com o Arcebispo, "as vítimas são pessoas pobres que não sabem nada e que não têm culpa nenhuma".
O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, ordenou que a polícia nigeriana fique em estado de alerta máximo para impedir novos ataques.
Fonte: Ansa,AFP,REUTERS